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História de vida

15.01.12
História de Vida - 50 http://shiuuuu.blogspot.pt/2012/08/historia-de-vida-50.html?m=1
Sou Seropositiva!
Sou uma mulher que teve um percurso de vida dito "normal". Namorou, casou e foi sendo feliz, apesar de aos poucos perceber que não era amor o que sentia por aquele homem, mas sim uma grande amizade.

Foi então que decidi conversar com ele e dizer-lhe que o melhor seria a separação, pois ele tinha direito a ter alguém que o amasse de verdade. E naturalmente eu também queria saber o que é amar. O tempo foi passando e ele nunca queria abordar o assunto da separação dizia sempre: "depois".

Entretanto eu comecei a ficar doente, fui vezes sem conta às urgências e diziam sempre que era falta de ar. Andei assim quase quatro meses, até que já nem tinha força para andar. A minha médica. muito preocupada, mandou-me então fazer o teste da tuberculose. Nesse dia fartei-me de chorar porque senti aquele "peso" de doença má associado a morte.

Fiz o teste e deu negativo. E mandaram-me mais uma vez para as urgências de onde já não saí. Hoje  agradeço aquela médica que conseguiu ver que não era uma simples falta de ar, mas algo mais grave.

Fiquei no hospital 3 semanas sem saber ao certo o que tinha, pois em vez de melhorar piorava. Faziam-me perguntas que eu achava estranhas e confesso que dizia para mim mesma  que a médica devia estar louca.

Perguntas como: "Já se injectou?", "Já traiu o seu marido?". Eu achava tão estranho aquelas perguntas que até comentei com o meu marido que foi sempre impecavél, não faltou uma única visita, aliás ele sempre me tratou muito bem. Tinhamos uma relação boa, apesar de sermos mais amigos, do que própriamente marido e mulher dentro daquele quarto.

Entretanto comecei a ficar melhor, depois daqueles dias horríveis, em que senti que ía morrer. E numa manhã, uma médica que eu nem conhecia e com um ar não muito simpático pediu para me levarem ao gabinete dela.

Eu nem sabia para onde ía, mas assim que lá entrei pensei: "bem, vai dizer que tenho um cancro" (sempre imaginei que era isso que tinha).

Ela começou por me perguntar se eu fazia ideia do que tinha, ao qual eu respondi que não sabia. Ela disse: "a menina tem HIV" e começou a explicar e a fazer mais perguntas.

Senti-me morrer naquele dia , porque nunca pensei ter esta doença, pois nunca estive com outro homem, sem ser o meu ex-marido e nunca tive outros comportamentos de risco. Pensei que tinha todas as doenças menos essa. Desde esse dia nunca mais fui a mesma pessoa.

Entretanto quando o meu ex-marido chegou para me visitar, contei-lhe e a resposta dele foi o silêncio, nada mais que o silêncio. Um silêncio ensurdecedor que até hoje me persegue e ao qual eu pergunto: "Porquê? Porque me fizeste isto?".

Ainda vivemos uns meses na mesma casa, ele não queria que eu contasse à minha família, e eu no início tinha tanto medo e não sabia muito sobre a doença, que passava os dias a chorar e só queria morrer.

Passou 3 meses e contei à minha irmã, e disse se eu já me queria separar antes, agora ainda queria mais, porque não aguentava sequer olhar para a cara dele.

Sepáramo-nos, e ele mudou completamente. Fez a minha vida num inferno, insultando-me
e acusando-me onde quer que me visse. Nunca admitiu a culpa e pior, tentou sempre culpar-me.

Hoje estamos separados, ele já teve várias companheiras, eu continuo sozinha. Sinto que morri como mulher, acho que não vou conseguir estar com mais nenhum homem, intimamente.

Infelizmente existe o estigma e muitas pessoas pensam ,que só acontece aos outros. Acreditem ou não, eu sempre fui uma pessoa dita "certinha", e até hoje só conheci aquele homem.

Ninguém pode dizer que não vai trair , mas pensem bem e tomem os devidos cuidados, porque ninguém tem o direito de "matar" outra pessoa.

Se havia pessoa que tinha um comportamento aparentemente normal, o meu ex-marido era uma dessas pessoas, mas ninguém pode controlar ninguém, eu ía trabalhar e julguei que ele também ía, mas afinal nunca conhecemos ninguém. Foram anos juntos, não foram dias.

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