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Desculpas esfarrapadas

13.01.12

Tirado de aqui.

Quem tem uma razoável inteligência emocional, evita recorrer a este tipo de estratégias porque sabe que a médio prazo vão dar mau resultado.

Existem homens que são exímios em fazer uso de pequenas/grandes mentiras, de forma a livrarem-se de situações embaraçosas. Mas, para que a técnica funcione, há que ter em conta alguns pormenores. Primeiro que tudo, o mentiroso tem de encarnar uma personagem dócil, de modo a apelar para o sentimento. O passo seguinte é encontrar o interlocutor certo. Alguém que não esteja atento a pormenores e que se coloque “a jeito” para ser iludido. A estratégia é começar por seduzir , através de palavras bonitas e actos a condizer. Não é preciso esforçar-se muito porque a  duração é limitada, já que rapidamente estala o verniz e  a verdade virá ao de cima.

Os mentirosos são criativos. Os sedutores são frios e calculistas, portanto servem-se de qualquer estratégia para “levar a água ao seu moinho”. A mistura entre estas duas categorias, resulta em seres humanos desprovidos de sentimentos. Não possuem capacidade emocional para gostarem verdadeiramente de ninguém. O que os motiva é o prazer de sentirem que conseguem ludibriar e iludir as mais incautas. Passemos aos exemplos.

Uma das mais velhas mentiras é a já clássica “tu és a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. O problema não tem a ver contigo, mas sim comigo…eu é que não estou preparado para ter um relacionamento !”. Fantástico ! Deste modo, o mentiroso atinge três objectivos, sai airosamente da relação, mantém a imagem de uma pessoa sensível (que a maior parte das mulheres adoram), ao mesmo tempo que se coloca no papel de vitima… sim, porque depois vem a história de que a última relação o traumatizou a tal ponto que ainda não se reabilitou. Porém a realidade é bem diferente. Quando há de facto interesse, afecto, nada disso faz sentido ! O coração não se prepara. O amor chega, instala-se quando menos se espera sem para isso pedir autorização.

Outra técnica sobejamente conhecida é a do “desculpa, mas quero estar sozinho… preciso de pensar na minha vida!”… É igualmente uma forma para apelar para os sentimentos, fazendo-se passar por uma pessoa tão bem organizada internamente, que não pretende fazer nada que se venha a arrepender. Outra ilusão ! O que isto quer dizer é que pretende divertir-se, somar relações ocasionais, mas deixando sempre algo em stand-by , não se vá um dia arrepender . É um modo de não fechar portas, querer deixar finais em aberto …típico de pessoas imaturas, que não sabem o que querem.

Depois há aqueles que dão “um tempo” à relação, mas mantêm um contacto diário com a ex_pseudo_namorada, mas fazem uso da velha desculpa esfarrapada  “preciso de estar sozinho… não estou bem… preciso de me encontrar “. Dão então a ideia de que podem estar deprimidos, indecisos quanto ao futuro, ou prestes a tomar uma decisão muito importante! A verdade é que  o tempo vai passando e eles  vão explorando outras alternativas. Sempre que são chamados à razão, mostram-se ofendidos e invadidos na sua intimidade "estás-me a pressionar... eu preciso de tempo e tu não me deixas pensar !". Resultado… a pseudonamorada arrasta-se nesta mentira, esperando pelo momento em que se faça luz nesse espírito inquieto. Não lhe passando pela cabeça que tudo faz parte de uma desculpa esfarrapada, para viver no melhor dos dois mundos. A verdade crua é que o amor é irracional, não se pensa. Age-se. Os problemas de casal devem resolver-se entre o casal… não há lugar a intervalos. Pode-se intervalar a vida ?!? Pobres das relações que precisam de intervalos para que resultem !

Técnica sobejamente utilizada é a do “ eu não te mereço…tu és boa demais para mim!”. Esta, de todas, é a minha favorita. Considero-a tão bizarra que deveria ganhar o Óscar da categoria! Pensemos um pouco. Quem acredita que haja alguém que, no seu pleno juízo, decida prescindir de outra pessoa por a achar … boa demais ???

Existem muitas mais desculpas esfarrapadas, mas isso dava direito a um manual, senão a uma enciclopédia. É incontestável que quem tem uma razoável inteligência emocional, evita recorrer a este tipo de estratégias porque sabe que a médio prazo vão dar mau resultado.

Por seu turno, todos aqueles que sistematicamente fazem uso destas estratégias, para além de quererem passar aos outros um atestado de burrice, minam as relações e acabam por ser vítimas de si próprios.

Vale a pena relembrar que a verdade, por mais amarga que seja, continua a ser a única receita para um relacionamento saudável. Ninguém gosta de ser enganado, toda a gente aprecia a sinceridade. Mesmo que, no momento, a verdade seja difícil de aceitar, o tempo permite que algumas mágoas se dissipem e que a pessoa seja recordada como alguém que nos tratou com correcção e respeito, que não caiu na tentação de entrar em farsas …

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