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Livro MENTES PERIGOSAS

12.01.12

O PSICOPATA MORA AO LADO

(Tirado de aqui).

Minha intenção, com esse conteúdo é alertar você, leitor.
Como meu objetivo aqui no BLOG é trazer mais autoconhecimento e qualidade de vida, acredito que o post que segue abaixo é de utilidade pública.
Todo o conteúdo abaixo foi tirado do livro “MENTES PERIGOSAS”, de Ana Beatriz Barbosa Silva.
"Quando pensamos em psicopatia, logo nos vem à mente um sujeito com cara de mau, truculento, de aparência descuidada, pinta de assassino e desvios comportamentais tão óbvios que poderíamos reconhecê-lo sem pestanejar. Isso é um grande equívoco!
Para os desavisados, reconhecê-los não é uma tarefa tão fácil quanto se imagina. Os psicopatas enganam e representam muitíssimo bem! Seus talentos teatrais e seu poder de convencimento são tão impressionantes que chegam a usar as pessoas com a única intenção de atingir seus sórdidos objetivos. Tudo isso sem qualquer aviso prévio, em grande estilo, doa a quem doer.
Este livro discorre sobre pessoas frias, insensíveis, manipuladoras, perversas, transgressoras de regras sociais, impiedosas, imorais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão, culpa ou remorso. Esses "predadores sociais" com aparência humana estão por aí, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais.
São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas definitivamente não são como a maioria das pessoas: aquelas a quem chamaríamos de "pessoas do bem".
Em casos extremos, os psicopatas matam a sangue-frio, com requintes de crueldade, sem medo e sem arrependimento.
Porém, o que a sociedade desconhece é que os psicopatas, em sua grande maioria, não são assassinos e vivem como se fossem pessoas comuns.
Eles podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloquentes, "inteligentes", envolventes e sedutores, não costumam levantar a menor suspeita de quem realmente são. Podemos encontrá-los disfarçados de religiosos, bons políticos, bons amantes, bons amigos. Visam apenas o benefício próprio, almejam o poder e o status e são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade.
A realidade é contundente e cruel, entretanto, o mais impactante é que a maioria esmagadora está do lado de fora das grades, convivendo diariamente com todos nós.
Transitam tranquilamente pelas ruas, cruzam nossos caminhos, frequentam as mesmas festas, dividem o mesmo teto, dormem na mesma cama...
É importante ressaltar que os psicopatas possuem níveis variados de gravidade: leve, moderado e severo. Os primeiros se dedicam a trapacear, aplicar golpes e pequenos roubos, mas provavelmente não "sujarão as mãos de sangue" ou matarão suas vítimas.
Já os últimos, botam verdadeiramente a "mão na massa", com métodos cruéis sofisticados, e sentem um enorme prazer com seus atos brutais. Mas não se iluda!
Qualquer que seja o grau de gravidade, todos, invariavelmente, deixam marcas de destruição por onde passam, sem piedade.
Além de psicopatas, eles também recebem as denominações de sociopatas, personalidades anti-sociais, personalidades psicopáticas, personalidades dissociais, personalidades amorais, entre outras. Embora alguns estudiosos prefiram diferenciá-los, no meu entendimento esses termos se equivalem e descrevem o mesmo perfil.
É importante ressaltar que o termo psicopata pode dar a falsa impressão de que se trata de indivíduos loucos ou doentes mentais. A palavra psicopata literalmente significa doença da mente (do grego, psyche = mente; e pathos = doença). No entanto, em termos médico-psiquiátricos, a psicopatia não se encaixa na visão tradicional das doenças mentais. Esses indivíduos não são considerados loucos, nem apresentam qualquer tipo de desorientação. Também não sofrem de delírios ou alucinações (como a esquizofrenia) e tampouco apresentam intenso sofrimento mental (como a depressão ou
o pânico, por exemplo).
Ao contrário disso, seus atos criminosos não provêm de mentes adoecidas, mas sim de um raciocínio frio e calculista combinado com uma total incapacidade de tratar as outras pessoas como seres humanos pensantes e com sentimentos.
Os psicopatas em geral são indivíduos frios, calculistas, inescrupulosos, dissimulados, mentirosos, sedutores e que visam apenas o próprio benefício. Eles são incapazes de estabelecer vínculos afetivos ou de se colocar no lugar do outro. São desprovidos de culpa ou remorso e, muitas vezes, revelam-se agressivos e violentos. Em maior ou menor nível de gravidade e com formas diferentes de manifestarem os seus atos transgressores, os psicopatas são verdadeiros "predadores sociais", em cujas veias e artérias corre um sangue gélido.
Certamente, cada um de nós conhece ou conhecera algumas dessas pessoas durante a sua existência.
Muitos já foram manipulados por elas, alguns vivem forçosamente com elas e outros tentam reparar os danos materiais e psicológicos por elas causados.
Por isso, não se iluda! Esses indivíduos charmosos e atraentes frequentemente deixam um rastro de perdas e destruição por onde passam. Sua marca principal é a impressionante falta de consciência nas relações interpessoais estabelecidas nos diversos ambientes do convívio humano (afetivo, profissional, familiar e social).
O jogo deles se baseia no poder e na autopromoção às custas dos outros, e eles são capazes de atropelar tudo e todos com total egocentrismo e indiferença.
Como animais predadores, vampiros ou parasitas humanos, esses indivíduos sempre sugam suas presas até o limite improvável de uso e abuso.
Na matemática desprezível dos psicopatas, só existe oacréscimo unilateral e predatório, e somente eles são os beneficiados.
Os psicopatas são os vampiros da vida real. Não é exatamente o nosso sangue que eles sugam, mas sim nossa energia emocional.
Possuem um extraordinário poder de nos importunar e de nos hipnotizar com o objetivo maquiavélico de anestesiar nosso poder de julgamento e nossa racionalidade. Com histórias imaginárias e falsas promessas nos fazem sucumbir ao seu jogo e, totalmente entregues à sorte, perdemos nossos bens materiais ou somos dominados mental e psicologicamente.
O mais surpreendente é que, a princípio, os psicopatas aparentam ser melhores que as pessoas comuns. Mostram-se tão inteligentes, talentosos e até encantadores como o próprio conde romeno que o cinema imortalizou como o Conde Drácula. Inicialmente nos despertam confiança, simpatia e acabamos por esperar mais deles do que das outras pessoas. Ilusórias expectativas! Esperamos, mas não recebemos nada positivo e, no fim das contas, amargamos sérios prejuízos em diversos setores das nossas vidas.
Sem nos darmos conta, acabamos por convidá-los a entrar em nossas vidas e quase sempre só percebemos o erro e o tamanho do engodo quando eles desaparecem inesperadamente, deixando-nos exaustos, adoecidos, com uma enorme dor de cabeça, a carteira vazia, o coração destroçado e, nos piores casos, vidas perdidas.
Para os psicopatas, essa sucessão de fatos irresponsáveis é absolutamente "normal".
Durante todos esses anos de exercício profissional, ouvi muitas histórias sobre
psicopatia. Meus pacientes relataram (e até hoje o fazem) como essas criaturas invadiram, feriram e arruinaram as suas vidas. Em cada caso foi possível identificar comportamentos suspeitos; uns mais característicos, outros menos. Tudo varia muito de caso para caso, no entanto, em todos, precisamente em todos, pude identificar "o jogo da pena".
A meu ver, esse é um dos recursos mais comuns e constantes das pessoas
inescrupulosas. Muito mais que apelar para o nosso sentimento de medo, os psicopatas, de forma extremamente perversa, apelam para a nossa capacidade de sermos solidários.
Eles se utilizam de nossos sentimentos mais nobres para nos dominar e controlar. Os psicopatas se alimentam e se tornam poderosos quando conseguem nos despertar piedade
A piedade, a compaixão e a solidariedade são forças para o bem quando direcionadas às pessoas que de fato merecem e precisam de tais sentimentos. No entanto, quando esses mesmos sentimentos são direcionados a pessoas que apresentam comportamentos inescrupulosos de forma consistente e repetitiva, temos que considerar isso como um aviso de que algo está muito errado. É um sinal de alarme que não podemos ignorar.
Como reconhecer um psicopata
A simples identificação de alguns sintomas não são suficientes para a realização do diagnóstico da psicopatia. Muitas pessoas podem ser sedutoras, impulsivas, pouco afetivas ou até mesmo terem cometido atos ilegais, mas nem por isso são psicopatas.
Superficialidade e eloqüência
Os psicopatas costumam ser espirituosos e muito bem articulados, tornando uma conversa divertida e agradável. Geralmente contam histórias inusitadas, mas convincentes em diversos aspectos, nas quais eles são sempre os mocinhos. Não economizam charme nem recursos que os tornem mais atraentes no exercício de suas mentiras.
Para algumas pessoas, eles se mostram suaves e sutis, tal como os galãs da TV e do cinema.
Quando não temos conhecimento sobre a personalidade dos psicopatas podemos ser enrolados por suas histórias improváveis. Entre outras razões, isso ocorre pela habilidade dos psicopatas em se informarem sobre os mais diversos assuntos.
Se forem realmente testados por verdadeiros especialistas no assunto, revelam, porém, suas superficialidades de conteúdo. Eles tentam demonstrar conhecimento em diversas áreas como filosofia, arte, literatura, sociologia, poesia, medicina, psiquiatria, psicologia, administração, legislação e usam e abusam dos termos técnicos, passando credibilidade aos menos avisados.
Outro sinal muito característico desse comportamento é a total falta de preocupação ou constrangimento que esses psicopatas apresentam ao serem desmascarados como farsantes. Não demonstram a menor vergonha caso sejam flagrados em suas mentiras.
Ao contrário, podem mudar de assunto com a maior tranquilidade ou dar uma resposta totalmente fora do contexto. Esses tipos de psicopata são muito comuns no mercado de trabalho como um todo, que fingem ser profissionais qualificados, sem nunca terem colocado os pés numa faculdade.
Ausência de sentimento de culpa
Os psicopatas mostram uma total e impressionante ausência de culpa sobre os efeitos devastadores que suas atitudes provocam nas outras pessoas. Os mais graves chegam a ser sinceros sobre esse assunto: dizem que não possuem sentimento de culpa, que não lamentam pelo sofrimento que eles causaram em outras pessoas e que não conseguem ver nenhuma razão para se preocuparem com isso.
Na cabeça dos psicopatas, o que está feito, está feito, e a culpa não passa de uma ilusão utilizada pelo sistema para controlar as pessoas. Diga-se de passagem, eles (os psicopatas) sabem utilizar a culpa contra as pessoas "do bem" e a favor deles com uma maestria impressionante.
Os psicopatas são capazes de verbalizar remorso (da boca pra fora), mas suas ações são capazes de contradizê-los rapidamente. Uma das primeiras coisas que os psicopatas aprendem é a importância da palavra remorso e como devem elaborar um bom discurso para demonstrar esse sentimento. Com essa habilidade de racionalizar (criar razões para) seus comportamentos, os psicopatas se isentam de responsabilidade em relação às suas atitudes. Inventam "desculpas elaboradas" capazes de mexer profundamente com os sentimentos nobres de pessoas de bom coração, as quais eventualmente podem vir a sentir pena dessas criaturas tão maquiavélicas.
Ausência de empatia
Empatia é a capacidade de considerar e respeitar os sentimentos alheios. É a habilidade de se colocar no lugar do outro, ou seja, vivenciar o que a outra pessoa sentiria caso estivéssemos na situação e circunstância experimentadas por ela. Somente pela definição do que é empatia, já fica claro que esse não é um sentimento capaz de ser experimentado por um psicopata. Para os psicopatas, as outras pessoas são meros objetos ou coisas, que devem ser usados sempre que necessários para a satisfação do seu bel-prazer. Os psicopatas zombam dos mais sensíveis e generosos. Para eles, essas pessoas não passam de uma gente fraca e vulnerável e, por isso mesmo, são seus alvos preferidos.
A falta de empatia apresentada pelos psicopatas é geral. Eles são indiferentes aos direitos e sofrimentos de seus familiares e de estranhos do mesmo modo. Caso demonstrem possuir laços mais estreitos com alguns membros de sua família (esposa, filhos), certamente é peio sentimento de possessividade e não pelo amor genuíno.
Não se esqueça: psicopatas são incapazes de amar, eles não possuem a consciência genuína que caracteriza a espécie humana. Os psicopatas gostam de possuir coisas e pessoas, logo, é com esse sentimento de posse que eles se relacionam com o mundo e com as pessoas.
Mentiras, trapaças e manipulação
Antes de qualquer coisa, temos que considerar que todo mundo mente, uns mais, outros menos. O filósofo e psicólogo americano David Livingstone Smith afirma que a mentira "branca" é normal e até necessária. Em seu livro Por que Mentimos, Smith descreve que todos nós mentimos de forma consciente ou inconsciente, verbal ou não-verbal, declarada ou não-declarada. Segregamos o "engano" não somente através de palavras como também pelos nossos corpos (um sorriso falso, por exemplo).
A mentira é um ato espontâneo que permeia todos os setores da nossa vida, seja para não magoarmos uma pessoa querida, como forma de "boas maneiras", ou até mesmo para desfrutarmos de alguns ganhos. A não ser em situações de extrema necessidade, as pessoas comuns e decentes mentem somente de forma ocasional, sem maiores consequências, ato perfeitamente justificável sob o ponto de vista moral.
Temos que distinguir, porém, a mentira corriqueira da mentira psicopática. Os psicopatas são mentirosos contumazes, mentem com competência (de forma fria e calculada), olhando nos olhos das pessoas. São tão habilidosos na arte de mentir que, muitas vezes, podem enganar até mesmo os profissionais mais experientes do comportamento humano. Para os psicopatas, a mentira é como se fosse um instrumento de trabalho, que é utilizado de forma sistemática e motivo de grande orgulho.
Mentir, trapacear e manipular são talentos inatos dos psicopatas. Com uma imaginação fértil e focada sempre em si próprios, os psicopatas também apresentam uma surpreendente indiferença à possibilidade de serem descobertos em suas farsas. Se forem flagrados mentindo, raramente ficam envergonhados, constrangidos ou perplexos; apenas mudam de assunto ou tentam refazer a história inventada para que ela pareça mais verossímil.
Eles se gabam pelas suas habilidades em mentir e podem fazê-lo sem qualquer justificativa ou motivo. Essa habilidade, muitas vezes, é potencializada pela facilidade de associarem a linguagem verbal à corporal (gestos e expressões) na elaboração de suas mentiras, dando um apelo teatral às mesmas. Nesse cenário de enganação, os psicopatas são, ao mesmo tempo, roteiristas, atores e diretores de suas histórias improváveis.
É muito importante também destacar outro recurso utilizado por essas criaturas na "arte" da mentira. Alguns psicopatas "mais experientes" são tão especialmente hábeis em mentir que se utilizam de pequenas verdades para ganharem credibilidade em seus discursos. A coisa funciona mais ou menos assim: eles admitem alguns deslizes que cometeram de fato, apenas para que as pessoas "de bem" se confundam e pensem da seguinte maneira: "Sejamos razoáveis, se fulano' está admitindo seus erros, e bem provável que ele esteja falando a verdade sobre as demais histórias." Por isso é preciso muita observação, conhecimento de sua vida passada e um pouco de distanciamento emocional para não se deixar enganar com facilidade por um psicopata.
Pobreza de emoções
Os psicopatas apresentam uma espécie de "pobreza emocional" que pode ser evidenciada pela limitada variedade e intensidade de seus sentimentos. São incapazes de sentir certos tipos de sentimento como o amor, a compaixão e o respeito pelo outro. Por vezes podem nos confundir ao apresentarem episódios emocionais dramáticos, fúteis e de curta duração.
No entanto, se observarmos com mais cautela, constataremos que esses episódios não passam de pura encenação.
Muitas vezes, os psicopatas querem convencer as pessoas de que são capazes de vivenciar fortes emoções, porém eles sequer sabem diferenciar as nuances existentes entre elas. Confundem amor com pura excitação sexual, tristeza com frustração e raiva com irritabilidade.
Muitos psiquiatras afirmam que as emoções dos psicopatas são tão superficiais que podem ser consideradas algo bem similar ao que denominam de "proto-emoções" (respostas primitivas às necessidades imediatas).
Impulsividade
A impulsividade apresentada pelos psicopatas visa sempre alcançar prazer, satisfação ou alívio imediato em determinada situação, sem qualquer vestígio de culpa ou arrependimento.
Autocontrole deficiente
A maioria de nós possui o que denominamos controle arbitrário sobre nossos comportamentos. Assim, mesmo que por vezes tenhamos vontade de responder agressivamente a provocações, acabamos não agindo dessa forma, em função de sermos capazes de exercer nosso autocontrole.
Os psicopatas apresentam níveis de autocontrole extremamente reduzidos. São denominados "cabeça-quente" ou "pavio-curto" por sua tendência a responder às frustrações e às críticas com violência súbita, ameaças e desaforos. Eles facilmente se ofendem e se tornam violentos por trivialidades ou por motivos banais. Apesar de a explosão de agressividade e violência serem intensas, elas ocorrem em um curto espaço de tempo, após o qual os psicopatas voltam a se comportar como se nada tivesse ocorrido.
Um psicopata, quando "perde o controle", sabe exatamente até onde ele quer ir, no sentido de magoar, amedrontar ou machucar uma pessoa. Apesar de tudo isso, eles se recusam a admitir que tenham problemas em controlar seu temperamento. Eles descrevem seus episódios agressivos como uma resposta natural à provocação a que foi submetido. Daí a se colocar como vítima de toda a situação é um passo muito pequeno!
Necessidade de excitação
Os psicopatas são intolerantes ao tédio ou a situações rotineiras. Eles buscam situações que possam mantê-los em um estado permanente de alta excitação. Por isso, apreciam viver no limite, no conhecido "fio da navalha". Nessa busca desenfreada, muitas vezes, envolvem-se em situações ilegais, agressões físicas, brigas, desacatos a autoridades, direção perigosa, uso de drogas, promiscuidade sexual etc. Frequentemente mudam de residência e emprego na busca de novas situações que os "excitem".
Em função disso, dificilmente iremos encontrar um psicopata exercendo atividades que demandam estabilidade e alta concentração por longos períodos.
Muitos psicopatas procuram nos atos perigosos, proibidos ou ilegais que praticam o suspense e a excitação que esses atos provocam. Para eles, tudo isso não passa de mero prazer e diversão imediatos, sem qualquer outra conotação.
Falta de responsabilidade
Para os psicopatas, obrigações e compromissos não significam absolutamente nada. A sua incapacidade de serem responsáveis e confiáveis se estendem para todas as áreas de suas vidas. No trabalho apresentam desempenho errático, com faltas freqüentes, uso indevido dos recursos da empresa e violação da política da companhia. Nas relações interpessoais não honram compromissos formais ou implícitos com as outras pessoas.
Por isso, nunca acredite em acordos escritos ou verbais com eles, pois nunca irão cumpri-los totalmente. Talvez o façam parcialmente no início do acordo somente para impressionar e ganhar confiança de suas vítimas. Mas uma coisa é certa: mais cedo ou mais tarde eles irão “aprontar”!
Quando a questão é família, o comportamento deles também segue o mesmo padrão de indiferença e irresponsabilidade.
Quando constituem famílias (cônjuges e filhos) os psicopatas não o fazem por sentimentos amorosos, mas sim como um instrumento necessário para construir uma boa imagem perante a sociedade.
Em geral os psicopatas afirmam, com palavras bem colocadas, que se importam muito com sua família (pai, mãe, irmãos, filhos), mas suas atitudes contradizem totalmente o seu discurso. Eles não hesitam em usar seus familiares e amigos para se livrarem de situações difíceis ou tirarem vantagens. Quando dizem que amam ou demonstram ciúmes, na realidade têm apenas um senso de posse como com qualquer objeto. Eles tratam as pessoas como "coisas" que, quando não servem mais, são descartadas da mesma forma que se faz com uma ferramenta usada.
O diagnóstico de psicopatia somente pode ser feito quando o indivíduo se encaixa de forma significativa nesse perfil, ou seja, quando possuir a maioria dos sintomas aqui apresentados.
TRATAMENTO
Senhoras e senhores, não trago boas-novas. Com raras exceções, as terapias biológicas (medicamentos) e as psicoterapias em geral se mostram, até o presente momento, ineficazes para a psicopatia.
Temos que ter em mente que as psicoterapias são direcionadas às pessoas que estejam em intenso desconforto emocional, o que as impede de manter uma boa qualidade de vida. Por mais bizarro que possa parecer, os psicopatas parecem estar inteiramente satisfeitos consigo mesmos e não apresentam constrangimentos morais ou sofrimentos emocionais como depressão, ansiedade, culpas, baixa auto-estima etc. Não é possível tratar um sofrimento inexistente.
É no mínimo curioso, embora dramático, pensar que os psicopatas são portadores de um grave problema, mas quem de fato sofre é a sociedade como um todo.
É importante lembrar que de uma forma geral todos nós estamos vulneráveis às ações desses predadores sociais. Assim, é mais sensato falarmos em ajuda e tratamento para as vítimas dos psicopatas do que para eles mesmos.
Os psicopatas, além de acharem que não têm problemas, não esboçam nenhum desejo de mudanças para se ajustarem a um padrão socialmente aceito. Julgam-se auto-suficientes, são egocêntricos e suas ações predatórias são absolutamente satisfatórias e recompensadoras para eles mesmos. Mudar para quê?
Dessa forma, os psicopatas raramente procuram auxílio médico ou psicológico. Quando eles chegam a um consultório, quase sempre é por pressões familiares ou, então, com o intuito de se beneficiarem de um laudo técnico. Frequentemente estão envolvidos com problemas legais, endividados e às voltas com o sistema judicial.
Por isso, tentam obter do profissional de saúde mental algum diagnóstico ou alguma comprovação de problemas que os auxiliem a minimizar as sanções que lhes foram impostas.
Manual de sobrevivência
1 - Saiba com quem você está lidando.
Essa primeira e importante regra se traduz no "remédio amargo" de aceitar que os psicopatas existem de fato e que eles literalmente não possuem consciência genuína. Ou seja, eles são incapazes de experimentar o amor ou qualquer outro tipo de ligação positiva com os outros seres humanos. Eles podem ser encontrados em todos os segmentos da sociedade e existe uma grande chance de você ter um encontro doloroso com um deles. Nunca menospreze o poder destruidor de um psicopata. Todas as pessoas, incluindo os especialistas, podem ser manipuladas e enganadas por eles,
mesmo que tenham um conhecimento razoável sobre o assunto. Por isso, sua melhor defesa é entender e, principalmente, aceitar que existem pessoas com essa natureza: fria e devastadora.
2 - As aparências enganam!
Todo cuidado é pouco! Como disse Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe: "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos".
Tenha sempre em mente que a maioria dos psicopatas não tem "pinta" de assassino.
Costumam ter um sorriso cativante, uma linguagem corporal interessante e uma boa lábia. Não caia nessa cilada! Ao conhecer novas pessoas, procure enxergar o que está por trás de tantos atrativos. Não se distraia com olhares sedutores, demonstração de poder, gestos atraentes, voz suave ou traquejo verbal, característicos de um psicopata.
Todos esses artifícios são utilizados com extrema habilidade exatamente para encobrir as suas verdadeiras intenções.
Também não se esqueça do poder do olhar desses indivíduos. Pessoas normais mantêm contato visual com as outras por uma gama de razões, na maioria das vezes por educação, mas o olhar intenso e frio do psicopata é mais um exercício de poder e de manipulação do que simplesmente interesse ou empatia pelo outro.
Em suma, da próxima vez que conhecer alguém que pareça ser uma pessoa muito extraordinária, tente não se iludir com o "evento teatral" à sua frente. Desvie seu olhar para as outras pessoas e se atenha ao que está sendo dito no conteúdo do discurso. É um exercício de separar a letra da melodia em uma canção.
3 - Não se esqueça de considerar a voz da sua intuição.
Sem percebermos, todos nós estamos constantemente observando o comportamento das pessoas. Muitas das impressões captadas por nosso cérebro podem se acumular em nossa memória de forma inconsciente, ou seja, sem que tenhamos conhecimento racional disso. Essas informações por vezes "guardadas" se manifestam na forma de intuição - como se fosse um instinto protetor do nosso organismo -, sinalizando perigos "invisíveis".
Embora aparentemente estranhas, essas informações, traduzidas na forma de "sensações", podem lhe ajudar se você permitir.
Então, lembre-se! Quando você estiver num dilema entre seguir o que manda o seu "coração" (intuição) e valorizar uma pessoa apenas pelo seu status profissional ou social, não vacile: siga sua intuição. Ela pode tirá-lo de uma grande enrascada!
4 - Abra os olhos com pessoas maravilhosas ou excessivamente bajuladoras.
No início de qualquer relacionamento, todos nós tentamos esconder aquele "lado meio sombrio", mostrando apenas o que temos de melhor. Para a maioria dos psicopatas isso também não é diferente, muito embora com consequências infinitamente maiores. Eles tendem a impressionar suas vítimas com elogios, cuidados especiais, gentilezas excessivas e histórias falsas sobre seu status social e/ou financeiro. Devemos ter uma "dose" extra de cautela quando alguma pessoa aparenta ser "tudo de bom". Não estou propondo que você contrate um detetive particular todas as vezes que conhecer alguém que lhe desperte algum interesse profissional ou afetivo. De forma alguma! Estou apenas sugerindo que você avalie muito bem quem é a pessoa com a qual está lidando.
Na medida do possível, procure lhe fazer perguntas sobre seus familiares, amigos, emprego, residência, projetos futuros... Os psicopatas geralmente dão respostas vagas, evasivas ou até inconsistentes quando são questionados sobre suas vidas. Suspeite de tais respostas e, se puder, procure confirmá-las. Cuidado também para não cair no golpe da pessoa perfeita, que fica horas a fio ouvindo seus problemas sem se preocupar em falar de si mesma. Na realidade, esses falsos "terapeutas" estão colhendo informações para usá-las mais tarde contra você.
Outra situação para manter os olhos bem abertos é quanto à bajulação. A maioria de nós gosta de receber elogios. Eles são sempre muito bem-vindos principalmente quando são sinceros.
Em contrapartida, a bajulação excessiva, o agradar "afetado" e pouco realista é uma das táticas dos psicopatas para nos cegar, seduzir e encobrir suas verdadeiras intenções: manipulação e controle. Por isso, desconfie dos famosos "puxa-sacos"!
E aqui é importante esclarecer que a regra da bajulação se aplica tanto para os
indivíduos quanto para os grupos e nações. Da mesma forma que um indivíduo se empolga com a adulação de um manipulador, uma nação inteira pode se "hipnotizar" por lideranças políticas que se utilizam desses mesmos recursos.
5 - Certas situações merecem atenção redobrada.
Determinados lugares encaixam-se como luvas para a ação plena dos psicopatas: bares, clubes sociais, boates, resorts, cruzeiros, aeroportos. Nesses locais eles fazem verdadeiros plantões. Suas vítimas preferenciais são os solitários que buscam companhia ou diversão. Os psicopatas, na espreita, observam-nas atentamente e depois partem para o ataque. Os viajantes solitários também são alvos fáceis, pois prontamente são identificados como perdidos e sozinhos num aeroporto ou num ponto turístico qualquer. Então, fique esperto!
6 - Autoconhecimento é fundamental.
Os psicopatas são experts em detectar e explorar nosso lado mais vulnerável. Eles identificam as "feridas" certas e não perdem a chance de tocá-las quando podem. Assim, uma ótima forma de defesa é entender a si mesmo, saber verdadeiramente quais são seus pontos fracos. Desconfie de qualquer pessoa que os aponte com frequência, seja em particular ou em situações públicas e pouco apropriadas. Tenha cuidado com pessoas muito críticas e que vivem atentas às suas vulnerabilidades e às dos outros.
O autoconhecimento nem sempre é fácil de ser alcançado, por vezes a ajuda de um profissional especializado pode ser muito útil nesse sentido.
7- Não entre no jogo das intrigas.
A intriga é uma das ferramentas poderosas de um psicopata. No ambiente de trabalho, a intriga pode levar a consequências devastadoras. A princípio o psicopata se mostra um ótimo colega de trabalho, com espírito de colaboração e um especial interesse em oferecer seu ombro a quem necessita de uma "força". Em pouco tempo ele é capaz de se tomar seu "melhor amigo de infância". Logo depois começará a utilizar as informações colhidas no ombro amigo para fazer intrigas. E isso ele fará com você e com todos que inicialmente acreditaram em sua "amizade".
Sem mais nem porque, a confusão está armada! Funcionários começam a se desentender e todos acabam fazendo mexericos. Somente o psicopata, perante o chefe, está fora de tanta "baixaria".
Resista à tentação de entrar no jogo das intrigas, fale dire-tamente com seu colega sobre os fatos ou se possível com o próprio chefe. Não deixe ninguém intermediar desentendimentos por você. Se você entrar nesse joguinho pode acabar se igualando ao psicopata e se distraindo do mais importante, que é se proteger.
8 - Cuidado com o jogo da pena e da culpa.
É muito importante que você entenda que o sentimento de pena ou de compaixão deve ser reservado às pessoas generosas, de bom coração e que estejam em sofrimento verdadeiro. Temos a virtude de sentir tristeza frente à aflição alheia e nos compadecemos com a sua dor. A compaixão nos faz sentir mais humanos, pois enxergamos nosso semelhante como a nós mesmos.
Mas, afinal, devemos dispensar um sentimento tão nobre a alguém frio e cruel?
Decididamente não!
Para início de conversa, um psicopata não sofre de fato. O máximo que ele consegue sentir é frustração por algo que não conseguiu concretizar. Também é muito importante que você tenha em mente que os psicopatas se alimentam dos nossos sentimentos mais nobres, da nossa compaixão, o que os torna cada vez mais fortes e poderosos.
Sentir pena de um deles é o mesmo que dar o alimento preciso para que continue com suas atitudes inescrupulosas. Não tenha pena de um psicopata, não gaste suas reservas de compaixão com uma pessoa sem coração. Ela vai sugar você até que se sinta vazio e fragilizado.
Por outro lado, um psicopata também "brinca" com o nosso sentimento de culpa, que também é uma virtude. Qualquer que seja o motivo que o fez se envolver com um psicopata, é muito importante que você não esqueça o seguinte: nunca aceite que ele culpe você pelas atitudes dele. Tenha a plena convicção de que a vítima é você e não ele. Os psicopatas são habilidosos em inverter papéis e fingem sofrer. De algozes passam-se por vítimas com a maior tranquilidade.
Os psicopatas não amam seus cônjuges, isso não existe! Eles os possuem como uma mercadoria ou um troféu com os quais reforçam seus desejos de manipulação, controle e poder.
De forma muito parecida, pais de filhos psicopatas sofrem e se culpam porque se sentem responsáveis pelo desenvolvimento da personalidade de seus filhos. No entanto, tudo indica que esses pais não cometeram erros tão graves assim, se é que os tenham cometido de fato. Os estudos sobre a personalidade psicopática revelam que a educação fornecida pelos pais pode, no
máximo, exacerbar o problema, mas não existe nenhum indício de que a maneira de educar seja capaz de originar a psicopatia.
Filhos psicopatas se utilizam muito do jogo da culpa. Eles costumam justificar os seus atos transgressores como consequência de comportamentos inadequados de seus pais quando eles ainda eram crianças. E, infelizmente, é muito difícil convencer esses pais de que nada disso é verdade. Os pais são as maiores vítimas do jogo da culpa.
9- Busque ajuda profissional.
Os danos causados pela passagem (ou permanência) de um psicopata na vida de alguém são devastadores e imensuráveis. Sua vida emocional, física, profissional (ou financeira) e até mesmo sua dignidade podem ser sumariamente destruídas por um deles. Assim, na medida do possível, os familiares e as vítimas de psicopatas devem buscar ajuda médica, psicológica e até mesmo jurídica. É recomendado que esses profissionais tenham profundo conhecimento sobre a natureza da personalidade psicopática.
10 - Dê valor a sua capacidade de ser consciente.
Não se esqueça de que você possui o bem mais valioso que um ser humano pode alcançar. Você tem a sua consciência que lhe confere o dom de amar a própria vida, o planeta e a humanidade como um todo. Por isso, é tão importante desenvolver e aperfeiçoar a nossa consciência. O desenvolvimento da consciência provoca experiências transformadoras em nós. Mudamos a nossa forma de ver, viver, sentir e nos relacionar com o mundo. Com o aperfeiçoamento da consciência, aumentamos a nossa capacidade de amar e, com isso, temos o privilégio de praticar o amor incondicional.
Exercer esse amor de forma realista e madura é ter o bem pulsando dentro de nós."
(MENTES PERIGOSAS – Ana Beatriz Barbosa Silva)
SITE: http://www.medicinadocomportamento.com.br/

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