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Dormindo com o inimigo

24.01.12
Dormindo com o inimigo
Casos de crimes violentos como o ocorrido com o empresário Kitano Matsunaga, da Yoki, mostram que dividir a cama com alguém pode ser uma caixa de surpresas - nem sempre tão boas assim


Por Ana Fabrício


Ao nos apaixonarmos por alguém, nosso desejo é viver feliz com o objeto da nossa paixão - até que a morte nos separe. Porém, nem sempre acertamos a escolha. E a pessoa que escolhemos para dividir nossa caminhada - e em quem mais confiamos - pode, de repente, transformar-se de príncipe em sapo - ou de princesa em rã - e acabar convertendo o que poderia ser um relacionamento do tipo ‘felizes para sempre’ em caso de polícia, como o caso recente de Elize Matsunaga, mulher do executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, que confessou o assassinato e esquartejamento do marido.

Mas o que faz com que uma pessoa com quem se estabeleceu uma rotina de intimidade e afeto possa chegar ao extremo de tirar a vida de alguém? O caso de Elize, estarrecedor, é só mais um, entre muitos, que ocorrem não só no Brasil, mas em vários lugares do mundo. E chocam não apenas pela brutalidade, mas por serem cometidos por alguém muito próximo da vítima.

Para os psiquiatras, não há um padrão de comportamento que explique todos os casos. Contudo, há uma característica comum nesses acontecimentos: sentimentos de posse, ciúmes e insegurança que extrapolam a normalidade. Porém, cada caso é um caso - e não dá para generalizar. São as circunstâncias de cada um deles que determinam o alcance da tragédia.

“Em primeiro lugar, é importante lembrar que nenhum comportamento humano tem uma causa isolada. Nossa mente é complexa. As ações e reações normalmente resultam de uma longa cadeia de fatores diversos”, explica o psiquiatra Daniel de Barros, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC) - onde atua como coordenador médico do Núcleo de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica (Nufor) –, doutor em Ciências e bacharel em Filosofia (Universidade de São Paulo-USP), além de escrever para o Portal do Estadão. “No caso de humilhações constantes, esse pode ser um dos elementos envolvidos numa reação violenta, planejada ou não, por parte daquele que se sente acuado e sem saída.” 

Vítimas da cultura machista 

Esse tipo de crime tem, em sua grande maioria, a mulher como vítima, com algumas exceções, como no caso de Elize, que matou o companheiro. Segundo o psiquiatra e professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do ABC, Sérgio Baldassin, isso acontece porque alguns comportamentos, como a violência, são predominantes no homem desde o começo das civilizações. “Determinadas civilizações antigas, quando governadas por mulheres, caracterizam-se por apresentar predominantemente materiais agrícolas em seus registros históricos; quando por homens, destacam-se nas pesquisas o material bélico”. 
Ou seja, o homem, na figura do macho, ainda tem resquícios do tempo das cavernas. Segundo Barros, esse é um crime de gênero, ligado não apenas à maior força física do macho, mas, ainda, às diversas crenças e posturas com relação aos papéis da mulher e do homem no relacionamento. “O ambiente cultural é um fator de grande peso na ocorrência de crimes como esses.”

Mas como saber quem é, verdadeiramente, a pessoa com a qual convivemos e dividimos nossa cama? Para Baldassin, pode não haver sinais. Esse tipo de pessoa pode ou não dar pistas de uma personalidade violenta. Ela pode ser sossegada o tempo todo e, em algum momento, ficar violenta. “As possibilidades existem. Os sinais muitas vezes não são percebidos pelo próximo, que tende a achar que o sujeito era assim mesmo, quieto, isolado ou esquentado...” 

Para o caso específico de crimes como o cometido por Elize, Baldassin diz que não há um perfil. “Podem ser cometidos por indivíduos normais ou psicóticos, movidos por ideias delirantes, em busca de algum ganho, a qualquer custo.”

Segundo o psiquiatra Daniel de Barros, a maioria dos criminosos - mesmo entre os que cometem crimes bárbaros - não tem nenhum transtorno psiquiátrico. “Mais importante do que isso é fundamental lembrar que grande parte das pessoas que sofre com um transtorno mental nunca comete crime algum. Portanto, não há um sinal que seja específico para identificar quem irá ou não cometer atos violentos.” (Ana Fabrício)


Como identificar um psicopata?

Quanto aos psicopatas, o psiquiatra e professor Sérgio Baldassin traça um perfil com algumas das suas características principais. Importante destacar: estes sinais não significam, necessariamente, que todos eles sofrem. Mas alguns psicopatas sofrem mais, como os tímidos, nerds, isolados e esquizotímicos (têm personalidade introspectiva, concentrada, inquieta e contraditória consigo próprio).


Mas Barros alerta que os psicopatas são sujeitos extremamente frios, indiferentes ao sofrimento alheio, incapazes de estabelecer relacionamentos profundos e verdadeiros, em qualquer esfera da vida.


Fique atento aos sinais: 
Indiferença pelos sentimentos alheios; pobreza geral na maioria das reações afetivas. 
Conduta antissocial: atitude flagrante e persistente de irresponsabilidade e desrespeito por normas, regras e obrigações sociais. 
Incapacidade de manter relacionamentos, embora não haja dificuldade em estabelecê-los. 
Muito baixa tolerância à frustração e um baixo limiar para descarga de agressão, incluindo violência. 
Incapacidade de experimentar culpa ou remorso, ou de aprender com a experiência, particularmente punição. 
Propensão marcante para culpar os outros ou para oferecer racionalizações plausíveis para o comportamento que o levou ao conflito com a sociedade. 
Desprezo para com a verdade e insinceridade. 
Sedução e boa inteligência. 
Não confiabilidade. 
Egocentrismo patológico e incapacidade para amar. 
Perda específica de insight (compreensão interna). 
Comportamento extravagante e inconveniente, algumas vezes sob a ação de bebidas, outras não. 
Vida sexual impessoal, trivial e mal integrada. 
Falha em seguir qualquer plano de vida. 
Amor ou ódio?
No Brasil e no mundo todo, são poucos os acontecimentos criminosos que têm o homem como vítima da mulher. A violência em um relacionamento pode partir tanto de um quanto de outro, mas, segundo as estatísticas policiais, há mais inimigos que inimigas. 


No Brasil, os casos conhecidos em que uma mulher foi acusada de matar o parceiro são três: 

Dorinha Duval - Em 1980, a atriz Dorinha Durval confessou ter matado com três tiros o seu marido, o cineasta Paulo Sérgio Alcântara. Segundo a defesa, o crime ocorreu depois de Alcântara (16 anos mais novo do que Dorinha) ter dito não sentir mais atração por “uma velha” e, em seguida, tê-la agredido. A atriz foi condenada a seis anos de prisão em regime semiaberto.






Zulmira Galvão Bueno - Em 1950, Zulmira Galvão Bueno matou com dois tiros o marido, Stélio Galvão Bueno, ao descobrir que ele lhe era infiel. Stélio Galvão Bueno era um advogado de sucesso, e Zulmira uma humilde bilheteira de cinema. Ela foi condenada a dois anos de prisão, com sursis (suspensão condicional da pena).


 Cippolina - O corpo do coronel aposentado da Polícia Militar e deputado estadual Ubiratan Guimarães foi encontrado por seus assessores políticos no dia 10 de setembro de 2006, caído perto do sofá, em seu apartamento. Sua namorada e suspeita de ser a assassina, a advogada Carla Cippolina, negou o crime. Mas câmeras do elevador a gravaram deixando o prédio do coronel no horário aproximado da morte. Guimarães ficou nacionalmente conhecido por comandar a invasão do extinto presídio do Carandiru, na Zona Norte de São Paulo, em 1992, quando 111 presos foram mortos pela Polícia Militar.
Apesar de Carla alegar inocência, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) a indiciou pelo assassinato de Ubiratan. Mas o processo foi arquivado pelo juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri, em 2008, que entendeu que não havia provas suficientes para indicar Carla como suspeita do homicídio. Porém, em junho de 2010, a Câmara Criminal do TJ-SP decidiu que a advogada fosse submetida a júri popular, marcado para o mês de agosto próximo. A denúncia sustenta que Carla matou Ubiratan após uma discussão por ciúmes. Para o MP, a advogada decidiu atirar nele para se vingar por ele ter colocado um fim ao relacionamento dos dois.

Homens matam muito mais que mulheres

Já os casos de homens que matam mulheres são mais comuns. No livro Dormindo com o inimigo (editora Bertrand Brasil), o psicólogo e orientador pessoal Roberto Bo Goldkorn demonstra que a mulher é vítima em cerca de sete entre dez casos de uniões conflituosas (esses dados batem com os números de crimes passionais divulgados pela polícia). No seu livro, Goldkorn mistura sua experiência profissional e pessoal (fatos relatados por pacientes, parentes e amigos) com uma apurada pesquisa fundamentada em fatores históricos, sociais, culturais, psicológicos e fisiológicos, com o objetivo de fazer com que o leitor aprenda a perceber, no dia a dia, quem são os verdadeiros aliados e quem são aqueles que estarão dispostos a atacar ao primeiro descuido.

Confira os principais casos de crimes cometidos por homens contra mulheres no Brasil: 


Mércia Nakashima - A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após visitar os avós, e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água. O principal suspeito do crime é o ex-namorado de Mércia, o policial aposentado Mizael Bispo de Souza, que teria matado a jovem com o auxílio do vigia Evandro Bezerra da Silva. O motivo do crime: Mércia queria acabar o relacionamento. Mizael, depois de algum tempo foragido, entregou-se à polícia. Atualmente preso, aguarda julgamento.



Eloá Cristina Pimentel – Em 13 de outubro de 2008, Eloá Cristina Pimentel e uma amiga, Nayara Rodrigues, ambas com 15 anos de idade, foram tomadas como refém pelo ex-namorado de Eloá, Lindemberg Alves Fernandes, no mais longo cárcere privado da história policial de São Paulo. O fato aconteceu em Santo André, no ABC paulista. A polícia cercou o local, mas não obteve sucesso na negociação com o sequestrador. Após cem horas de terror, Lindemberg atirou contra as jovens: Nayara foi atingida no rosto, mas sobreviveu; Eloá morreu com um tiro na cabeça e outro na virilha. Em fevereiro, Lindemberg foi condenado a uma pena de 98 anos e dez meses de prisão, pelos doze crimes dos quais foi acusado.

Farah Jorge Farah – Após uma discussão com a dona de casa Maria do Carmos Alves, 46 anos, com quem mantinha um relacionamento amoroso que já durava mais de 20 anos, o cirurgião plástico de origem libanesa, Farah Jorge Farah a matou e a esquartejou. O crime ocorreu em 2003, no interior da clínica do médico, que utilizou seus conhecimentos técnicos para retirar as vísceras, drenar o sangue e extirpar marcas que pudessem diminuir o peso do corpo e identificar a vítima. O cirurgião guardou as partes do corpo de Maria do Carmo em cinco sacos plásticos, deixados no porta-malas do carro dele. No dia seguinte, ele confessou o crime à família. Considerado culpado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e emprego de meio que impossibilitou a defesa da vítima, Farah ficou preso durante quatro anos e meio e obteve da Justiça o direito de recorrer em liberdade.

Antônio Pimenta Neves – Depois de quatro anos de um relacionamento conturbado, o jornalista Antonio Pimenta Neves, então editor-chefe do jornal O Estado de S. Paulo, deu dois tiros - um nas costas e outro na cabeça - da sua ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide, de 31 anos. O crime ocorreu no dia 20 de agosto de 2000, no Haras Setti, em Ibiúna, interior de São Paulo. O motivo: ciúmes. Após 10 anos sem punição, Pimenta Neves está preso.

Lindomar Castilho - Eliana de Grammont e Lindomar Castilho já estavam separados oficialmente havia 20 dias quando ele a matou com um tiro no peito. Na época, 1981, Eliana tinha 26 anos. O crime aconteceu no bar Belle Époque, em São Paulo. O motivo: Lindomar descobriu que Eliana tinha um caso amoroso com seu primo. Submetido a júri popular em 1984 e condenado a 12 anos de prisão, cumpriu apenas quatro anos e ganhou liberdade condicional por bom comportamento.

Doca Street - Em 1970, Raul Fernandes do Amaral Street, o Doca Street, era um homem de 42, paulista e rico, quando se apaixonou por Angela Diniz, conhecida como a “Pantera de Minas”. A relação dos dois era explosiva. Numa briga, depois de ela ameaçar deixá-lo, Doca sacou uma arma e a assassinou com três tiros no rosto e um na nuca. O crime aconteceu em dezembro de 1976, na praia dos Ossos, em Búzios, Rio de Janeiro. Condenado, em 1979, por homicídio culposo, Doca foi, em seguida, beneficiado pelo sursis (suspensão condicional da pena). Segundo a alegação da defesa, o crime foi "em legítima defesa da honra", depois de o assassino ter sofrido "violenta agressão moral". Dois anos depois, por pressão de movimentos feministas, ele acabou sendo condenado a 15 anos de prisão.


Tragédias na literatura e no cinema 

Os crimes cometidos em nome da paixão ou de psicopatias estão bem representados no cinema e na literatura. Confira alguns deles:




Dormindo com o inimigo - Um dos filmes mais conhecidos sobre o assunto é Dormindo com o Inimigo (1990), com Julia Roberts no papel de Laura. Ela conhece Martin Burney, que parece ser o homem dos seus sonhos: bonito, bem-sucedido e sedutor. Mas, depois de casada, ela descobre o verdadeiro Martin: compulsivo, dominador e violento. Ela passa a viver um pesadelo e, após três anos, planeja sua fuga. Sabendo que apenas sua morte impediria Martin de continuar a lhe perseguir, Laura simula um afogamento em um acidente de barco e muda-se para uma cidadezinha do centro-oeste. Mesmo com uma nova aparência e identidade, ela continua sobressaltada, perseguida pela memória da brutalidade de Martin. Movido por uma obsessão doentia, ele não desiste de reencontrá-la. 


Otelo - Uma das mais conhecidas obras do escritor inglês William Shakespeare, Otelo relata com maestria um crime passional. Na história, Otelo, um general mouro de Veneza, assassina sua jovem esposa, Desdêmona, por acreditar que ela o traía com Cássio, um dos seus soldados. Entretanto, ao descobrir que sua esposa, na verdade, lhe era fiel, Otelo come suicídio.

http://freesaopaulo.blogspot.pt/2012/07/dormindo-com-o-inimigo.html
Peça ajuda:

Em situações de ameaça evidente ou risco, os telefones e endereços eletrônicos abaixo podem ser muito úteis para a mulher.


- Disque Saúde Mulher - 0800 6440803
- Delegacia de Defesa da Mulher (24 horas) - (11) 3241-3328
- Casa Eliane de Grammont - (11) 5549-9339 
- Casa Sofia - 0800 7703053 
- Centro de Atendimento à Mulher Cidinha Kopcak - (11) 6115-4195 


Guia de Serviços de Atendimento à Violência On-line: www.mulheres.org.br 
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres: www.presidencia.gov.br/spmulheres 

Teste

Descubra se você (ou seu parceiro) é um psicopata

Esse é um famoso teste psicológico norte-americano para reconhecer a mente de assassinos seriais (serial killers). A maioria dos assassinos presos acertou a resposta. Para um psicopata, os fins sempre justificam os meios. 
Quer saber se você pensa como um psicopata? Então, faça o teste abaixo.

Leia a história e responda à pergunta. 

“Uma mulher tinha duas filhas, já adultas. Essa mulher morreu, e no dia do seu velório, sua filha mais nova conheceu um rapaz, bonito, elegante, simpático, inteligente... Eles se apaixonaram e, algum tempo depois, casaram-se. Mas, em poucos meses, eles brigaram e se separaram. O rapaz foi embora. A moça, que ainda gostava dele, sentiu-se amargurada por ter sido deixada. Então, ela tomou uma decisão terrível: Matou sua única irmã.” 

A pergunta é: por qual motivo a moça matou a própria irmã? 

Resposta: Como a moça conheceu o rapaz no funeral de sua mãe, supôs que ele era conhecido da família. Então, decidiu que a única maneira de trazê-lo de volta seria o funeral de algum outro familiar. Logo, matou a irmã na esperança de que o rapaz aparecesse novamente no funeral.

Para um psicopata, as pessoas ao seu redor não são nada além de degraus para alcançar seus objetivos. Eles usam essas pessoas, e quando não são mais necessárias, eles as descartam. Simples assim. Se vc conhece alguém que acertar a resposta, tire-o de seu e-mail ou de sua agenda... Fique bem longe.

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